A superfície do Sol preenchendo o quadro, com manchas solares escuras e o bordo do disco mais escuro que o centro.
Ato um · O Sol
Laboratório ROO3

Nada aqui foi imaginado.

Cada corpo desta página é uma fotografia de missão da NASA esticada sobre uma esfera e iluminada da posição real do Sol. Os tamanhos são os de verdade. As distâncias também. Role para começar a se afastar.

De onde vem cada imagem
Role para se afastar
A escala

O sistema solar é quase inteiro feito de nada.

Numa figura de livro os planetas ficam lado a lado porque, em escala de verdade, oito deles sumiriam da página. Esta peça mantém a escala real de tamanho e de distância, e é por isso que quase toda a rolagem é escuridão com um ponto de luz no meio.

5 h 28 miné o tempo médio que a luz do Sol leva para chegar em Plutão. Até a Terra são 8 minutos e 19 segundos
1 / 1 560da luz que a Terra recebe é o que sobra para Plutão na distância média. Ela cai com o quadrado da distância
109Terras lado a lado atravessam o diâmetro do Sol. Em volume, o Sol equivale a 1,3 milhão delas
10 metrosé a espessura dos anéis de Saturno, que têm 62 mil quilômetros de largura
Mercúrio, Vênus, Terra e Marte passando pela câmera, um de cada vez, cada um iluminado de lado pelo Sol.
Ato dois · Os mundos de rocha
Ato dois

Os mundos de rocha

Quatro bolas de pedra nos primeiros dois por cento do caminho. Depois delas, o vazio começa de verdade.

Procedência

De onde vem cada imagem.

Nenhuma textura desta página foi gerada por IA nem comprada em banco de imagem. Todas vêm de missão da NASA, da ESA ou do USGS, e todas são de uso livre. Abaixo, corpo por corpo, o que é cada uma.

Sol
Solar Dynamics Observatory, câmera HMI em luz visível, imagem de 2026.
NASA/SDO e a equipe científica do HMI

As manchas solares que aparecem no primeiro ato são as que estavam no Sol no dia em que esta página foi montada.

Mercúrio
MESSENGER, mosaico global monocromático da MDIS, 2011 a 2013.
NASA/Universidade Johns Hopkins APL/Carnegie Institution of Washington/USGS

Mercúrio é cromaticamente quase neutro. O mapa colorido que circula por aí é cor realçada para mostrar mineralogia, e não foi usado aqui.

Vênus
Mariner 10, topo de nuvens, 1974.
NASA/JPL-Caltech

A estrutura em Y das nuvens só aparece em ultravioleta. A olho nu Vênus é uma bola creme quase sem feição, e é assim que ela sai aqui.

Terra
Blue Marble Next Generation, sensor MODIS, mais camada de nuvens e luzes noturnas, 2004 em diante.
NASA Earth Observatory

A Terra é o único corpo da viagem com três camadas: superfície, nuvem e a luz das cidades no lado da noite.

Lua
Lunar Reconnaissance Orbiter, câmera grande-angular, 2009 em diante.
NASA/GSFC/Arizona State University

A Lua aparece escura porque ela é escura: reflete 14% da luz que recebe, quase o mesmo que asfalto usado.

Marte
Viking, mosaico global MDIM 2.1, 1976 a 1980.
NASA/JPL/USGS

A face virada para a câmera é a de Valles Marineris, o cânion de quatro mil quilômetros.

Júpiter
Cassini, mapa cilíndrico do planeta inteiro, 2000.
NASA/JPL/Space Science Institute

A Cassini fotografou perto do equador, então os polos ficaram sem dado no mapa e foram fechados aqui.

Io, Europa, Ganimedes e Calisto
Voyager e Galileo, mosaicos globais, 1979 a 2003.
NASA/JPL/USGS

As quatro aparecem pequenas porque estão longe: no sobrevoo a câmera passa mais perto de Júpiter do que qualquer uma delas.

Saturno
Hubble, programa OPAL, foto de disco cheio, 2019.
NASA, ESA, A. Simon (GSFC), M. H. Wong (Berkeley) e a equipe OPAL

Não existe mapa planificado publicado do globo de Saturno. Este foi desprojetado aqui a partir da foto.

Urano
Voyager 2, foto de disco cheio em cor real, 1986.
NASA/JPL-Caltech

A Voyager passou quase por cima do polo sul. Urano é o corpo mais liso da viagem, e isso não é limitação do dado.

Netuno
Voyager 2, foto de disco cheio, 1989.
NASA/JPL-Caltech, com a cor recalibrada por Irwin et al. 2024 (MNRAS 527, 11521)

A foto famosa é azul safira porque o contraste foi esticado de propósito para revelar as nuvens. Netuno de verdade é bem mais pálido.

Plutão e Caronte
New Horizons, mosaicos globais, 2015.
NASA/Universidade Johns Hopkins APL/Southwest Research Institute

O polo sul dos dois estava em noite polar durante o sobrevoo. Nenhum mapa do mundo tem esse dado. Caronte tem metade do diâmetro de Plutão, e o ponto em torno do qual os dois giram fica 938 km acima da superfície de Plutão, no vazio: é o único par assim que a gente conhece.

Júpiter com a Grande Mancha Vermelha, e depois Saturno com os anéis abertos e a sombra do planeta atravessando eles.
Ato três · Os gigantes de gás
Ato três

Os gigantes de gás

Júpiter tem duas vezes e meia a massa de todos os outros planetas somados. E não tem chão.

A parte que ninguém escreve

O que é foto, e o que a gente teve que reconstruir.

Toda peça bonita tem um pedaço inventado. A diferença é dizer qual. Aqui está a lista inteira, sem nenhum item deixado de fora.

Onde existe mapa da NASA, ele foi usado direto

Mercúrio, Terra, Lua, Marte, Júpiter, Plutão, Caronte e as quatro luas de Júpiter têm mosaico global publicado por NASA ou USGS. Esses corpos são fotografia, pixel por pixel.

Saturno, Urano e Netuno foram desprojetados aqui

Desses três não existe mapa planificado público. O que existe é foto de disco. O programa desfaz a projeção, remove a iluminação e devolve o albedo em latitude e longitude. O hemisfério que a sonda não viu recebe a média daquela latitude, o que funciona nesses corpos porque as faixas dão a volta no planeta.

O polo sul de Plutão e de Caronte foi preenchido

Em julho de 2015 ele estava em noite polar. Não é falha do arquivo: é que a New Horizons passou uma vez só, e aquela metade estava no escuro. Aqui a região recebeu a cor média das latitudes vizinhas.

Os planetas estão alinhados, e isso não acontece

Para caber numa viagem só, eles foram postos num corredor. As distâncias ao Sol são as reais, os tamanhos também, e a câmera passa a distâncias de sobrevoo plausíveis. O alinhamento é a licença poética, e é a única.

A câmera abre o diafragma conforme se afasta

A luz do Sol cai com o quadrado da distância. Com exposição fixa, metade da viagem seria uma tela preta. Aqui a câmera abre, como faria uma sonda de verdade, mas guarda um resto de escuridão que cresce: Plutão termina mais escuro que Mercúrio, e isso é de propósito.

O brilho segue o albedo publicado

Os mapas vêm de processamentos diferentes e chegam com brilhos incoerentes entre si. Cada um foi calibrado para o resultado ficar proporcional ao albedo real. É por isso que Mercúrio, a Lua e Calisto aparecem escuros, e Vênus quase estoura.

Urano quase liso, Netuno com a Grande Mancha Escura, e por fim Plutão com Caronte ao lado.
Ato quatro · O gelo, e o fim da linha
Ato quatro

O gelo, e o fim da linha

Aqui o Sol já não aquece nada: é a estrela mais brilhante do céu, e só. Plutão fecha a viagem menor que a nossa Lua, com 2.376 km contra 3.475.

Como foi feito

Não tem vídeo nesta página.

Nenhum quadro foi filmado nem gerado por modelo de imagem. Cada um foi calculado, pixel por pixel, por um programa escrito para esta peça.

01 A rolagem é o cursor do tempo A página não tem tag <video>. Um <canvas> desenha o quadro que corresponde à posição da rolagem, e o navegador nunca precisa acertar um ponto exato de um arquivo de vídeo, coisa que ele não garante.
02 Cada pixel de planeta é um raio O raio sai da câmera, intersecta o elipsoide do corpo (Saturno é dez por cento mais largo do que alto, e isso está na conta), converte o ponto de impacto em latitude e longitude, amostra a foto e aplica a luz que vem da posição real do Sol.
03 O terminador tem o tamanho certo A linha entre o dia e a noite não é uma borda dura. Ela é macia na medida do tamanho angular do Sol visto daquele corpo, que muda ao longo da viagem: perto de Mercúrio o Sol é grande e a sombra é suave; em Plutão ele é quase um ponto e a sombra corta seco.
04 Os anéis de Saturno são traçados, não desenhados O perfil radial usa os raios medidos pela Cassini: anel C, anel B, a divisão de Cassini (entre 4.550 e 4.830 km de largura, conforme a fonte), o anel A, a lacuna de Encke e a de Keeler. A sombra do planeta sobre o anel e a sombra do anel sobre o planeta são calculadas raio a raio, não desenhadas à mão.
05 Cinco atos, carga sob demanda Cada ato só baixa os quadros quando falta menos de uma tela e meia para chegar nele, e cada URL de quadro leva versão, para que uma correção alcance também quem já visitou a página.
A câmera volta em direção ao Sol, sobe para fora do plano dos planetas e a Terra aparece como um ponto claro ao lado do brilho do Sol.
Ato cinco · A volta, e o ponto pálido
Ato cinco

A volta, e o ponto pálido

Na volta, a câmera sobe para fora do plano e olha para casa. É aquele ponto.

Trabalhar junto

Dá para fazer bonito e verdadeiro.Quase ninguém tenta os dois.

Esta peça não existe para vender astronomia. Ela existe para mostrar o padrão: quando a gente monta uma página, o dado é conferido, a fonte é citada e o que é reconstrução está escrito. Se isso for o que você procura, vamos conversar.

Quero uma página assim
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